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GILLES DELEUZE
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Gilles Deleuze
(1925 - 1995)
G
illes Deleuze (Paris, 18 de Janeiro de 1925 — Paris, 4 de Novembro de 1995) foi um filósofo francês.
Entre 1944 e 1948, ele cursou filosofia na Universidade de Paris (Sorbonne), onde encontra Michel Butor, François Châtelet, Claude Lanzmann, Olivier Revault d’Allonnes e Michel Tournier. Seus professores foram Ferdinand Alquié, Georges Canguilhem, Maurice de Gandillac, Jean Hyppolite.
Concluído o curso em 1948, ele dedica-se à história da filosofia.
Em 1968, Deleuze apresenta como tese principal Diferença e Repetição (Différence et répétition), orientado por Gandillac; e como tese secundária, Spinoza e o problema da expressão (Spinoza et le problème de l’expression) orientado por Alquié.
No mesmo ano, ele conhece Félix Guattari, e este encontro resulta em uma longa e rica colaboração. Segundo Deleuze: "meu encontro com Félix Guattari mudou muitas coisas. Félix já tinha um longo passado político e de trabalho psiquiátrico. Na Universidade de Vincennnes, onde ensinou até 1987, Gilles Deleuze deu um número significativo de cursos. Graças a sua esposa, Fanny Deleuze, uma parte importante destas aulas foi transcrita e disponibilizada no sítio de Richard Pinhas (webdeleuze).
Para Deleuze, "a filosofia é criação de conceitos" (O que é a filosofia?), coisa da qual nunca privou-se (máquinas-desejantes, corpo-sem-órgãos, desterritorialização, rizoma, ritournelle, etc.). A sua filosofia vai de encontro à psicanálise, nomeadamente a freudiana, que aos seus olhos reduz o desejo ao complexo de édipo (ver O Antiédipo - Capitalismo e Esquizofrenia, escrito com Félix Guattari). A sua filosofia é considerada como uma filosofia do desejo. Com a crítica radical do complexo de édipo, Deleuze consagrará uma parte de sua reflexão à esquizofrenia. Segundo ele, o processo esquizofrênico faz experimentar de modo direto as "máquinas-desejantes" e é capaz de criar (e preencher) o "corpo-sem-órgãos". No entanto, é preciso não confundir Deleuze com um "panfletário da loucura". Na verdade, seu intuito sempre foi o de explorar as suas potencialidades. Em Mil Platôs, Deleuze e Guattari enfatizam a necessidade de extrema prudência nos processos de experimentação. Deleuze sempre advertiu quanto ao perigo de se tornar um trapo através de experimentações que inicialmente poderiam ser positivas: "a queda de um processo molecular em um buraco negro" (Diálogos, p. 167).
Sofrendo demasiadamente, Deleuze se suicidou, lançando-se de uma janela, em 4 de novembro de 1995, depois de lhe ter sido diagnosticado um cancro (tumor) terminal. Deleuze sofria de tuberculose desde a juventude (período em que os tratamentos disponíveis não eram eficazes), o que, nos últimos anos de sua vida, acabou evoluindo para uma forma grave de insuficiência respiratória. Há controvérsia em relação a considerar a sua morte um suicídio: amigos próximos advogam que Deleuze caiu acidentalmente, em função de seu estado debilitado, da janela do hospital em que estava internado.
"São os organismos que morrem, não a vida."
Filosofia
O trabalho de Deleuze se divide em dois grupos: por um lado, monografias interpretando filósofos modernos (Spinoza, Leibniz, Hume, Kant, Nietzsche, Bergson, Foucault) e outros filósofos (Proust, Kafka, Francis Bacon); por outro lado, temas filosóficos ecléticos centrado na produção de conceitos como diferença, sentido, evento, rizoma, etc.
O filósofo do Corpo-sem-Órgãos (figura estética de Antonin Artaud, retomada como conceito filosófico por Deleuze em parceria com Félix Guattari).
Para ele, O ofício do filósofo é inventar conceitos. Assim como Nietzsche cria a personagem-conceito de Zaratustra, Deleuze afirma em L'abécédaire, entrevista dada a Claire Parnet, ter criado com Félix Guattari o conceito de ritornelo - refrão, forma de reterritorialização. Uma filosofia da imanência, dos diagramas, dos acontecimentos.
As principais influências filosóficas terão sido Nietzsche, Henri Bergson e Spinoza.
Obras
Ano da edição original em francês:
Hume, sa vie, son oeuvre, avec un exposé de sa philosophie (avec André Cresson) (1953)
Empirismo e Subjetividade (1953)
Instincts et Institutions (1955)
Nietzsche e a Filosofia (1962)
A Filosofia Crítica de Kant (1963)
Proust e os Signos (1964)
Nietzsche (1965)
O Bergsonismo (1966)
Apresentação de Sacher-Masoch (1967)
Spinoza e o problema da Expressão (1968)
Diferença e Repetição (1968)
Lógica do Sentido (1969)
Spinoza: Filosofia Prática (1970) (reedição aumentada, (1981))
Francis Bacon: Lógica da sensação (1981)
Cinema-1: A Imagem-movimento (1983)
Cinema-2: A Imagem-tempo (1985)
Foucault (1986)
Pericles e Verdi (1988)
A Dobra (1988)
Conversações (1990)
L'Epuisé (Posfácio a Samuel Becket) (1992)
Crítica e Clínica (1993)
Com Félix Guattari:
O Anti-Édipo (1972)
Kafka. Por uma literatura menor (1975)
Mil Platôs (1980)
O que é a filosofía? (1991)
Com Claire Parnet:
Dialogues (1977)
Com Carmelo Bene:
Superpositions (1979)
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