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O CRISTAL ENCANTADO
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O
Cristal Encantado
Título original: The Dark Crystal
Ano de estreia: 1982
Direção: Jim Henson e Frank Oz
Produção: Jim Henson e Gary Kurtz
Argumento: David Odell
Historia original: Jim Henson
Desenho conceitual: Brian Froud
Ouça atrilha sonora: Abertura - Trevor Jones
The Pod Dance - Trevor Jones
Sinopse
Todo mundo concorda: O Cristal Encantado é uma aventura mágica e empolgante. Mas, principalmente, é diferente de tudo o que você já viu. Primeiro, porque há somente bonecos em cena. Segundo, porque não são bonecos comuns. São marionetes e robôs sofisticados, com movimentos complexos e extremamente bem capturados pela câmera e pela sensibilidade dos diretores, Jim Henson e Frank Oz, uma dupla já bastante premiada pelas famosas séries de TV Vila Sésamo e Muppet Show.
Henson e Oz aliaram técnica apurada e muita imaginação para conceber um projeto no mínimo ousado: contar uma história mítica sobre valores como o bem e o mal, numa terra distante, habitada por criaturas fantásticas. E conseguiram. Mesmo tendo sido produzido em 1982, quando os efeitos especiais tão necessários para um filme assim eram, no mínimo, artesanais, O Cristal Encantado ainda surpreende. Tudo é belo, desde o cenário, até a concepção do mundo onde vive Jen, o último sobrevivente da raça dos Gelflins — uma espécie de elfo —, o herói da aventura.
Tudo começa quando o Cristal, responsável pela ordem universal, é partido. Quando isso acontece, o equilíbrio é alterado e surgem duas novas raças: os cruéis Skeksis e os pacíficos Mystics. Os Skeksis se apoderam do Cristal, e usam seu poder para perpetuar seu domínio sobre outras raças através da opressão e da força. Segundo uma velha profecia, eles reinarão para sempre, a menos que o Cristal seja restaurado por um Gelfling durante uma grande conjunção, quando os três sóis que iluminam o planeta se alinham.
Para perpetuar seu poder, os Skeksis exterminam os Gelfings. Mas, protegido pelos Mystics, Jen sobrevive. Agora, a grande conjunção está novamente próxima. Caberá, portanto, a Jen encontrar o fragmento partido e restaurar o verdadeiro poder do Cristal, restabelecendo o equilíbrio.
O Cristal Encantado não empolga pela história em si, mas pela maneira como ela é contada. Não é uma aventura comum, em que o bem acaba vencendo o mal, mas uma busca constante do equilíbrio, um dos valores mais caros da nossa sociedade, apresentada com uma narrativa excepcional e um visual de deixar qualquer um de queixo caído.
Não há um único humano em cena, a não ser por umas raras seqüências em que o boneco Jen é substituído por um dublê de carne e osso. Todas as criaturas são, de alguma maneira, marionetes habilmente controladas em cena por Henson e sua equipe. Segundo o diretor, marionetes reagem melhor do que bonecos justamente porque são controladas por humanos. Muitos dos movimentos não são premeditados, mas simples reações dos titereiros (controladores de marionetes) a uma situação da cena. Há, portanto, muita margem à improvisação, e o resultado é sempre mais autêntico.
Para conferir, basta observar o comportamento de Jen, o herói — ou anti-herói — da aventura. Ele é um Gelfling, um ser de aparência humanóide, do tamanho de um adolescente, que repentinamente se vê órfão devido à violência dos Skeksis e em cujos ombros cai uma missão um tanto quanto complexa: restaurar o equilíbrio do universo. Solitário e fragilizado, parte em busca do fragmento do Cristal, mas é presa fácil para as armadilhas da floresta. Suas reações são condizentes com este comportamento. Ora Jen está surpreso, ora chateado, ora assustado e até mesmo praguejando devido sua má sorte em algumas circunstâncias.
A inventividade de Jim Henson não pára por aí. Os Skeksis, por exemplo, são extremamente feios, mas, por isso mesmo, cumprem seu papel de malvados. São um misto de réptil com pássaro, o que os torna assustadores. Seus guardas são criaturas encouraçadas, como besouros gigantes, ainda mais malígnas. Mas toda essa maldade acaba numa cena em que os Skeksis estão à mesa do jantar — bizarra e, por isso mesmo, hilária.
Tudo isso tem lugar num mundo cuja fauna é extremamente complexa, e povoada por seres e sons extremamente inusitados, que surpreendem a cada cena. Vale destacar a cenografia sofisticada, cuidadosamente elaborada para cada tomada, e que contribui bastante para a beleza do filme. Assim, não só a aventura de Jen se torna mágica, mas também a experiência de assisti-la. Que, com certeza, se repetirá por muitas e muitas vezes.
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